Sexo não combina com casal irritado

Sexo não combina com casal irritado

As coisinhas miúdas do relacionamento que costumam afastar o tesão

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casal irritado o masculino
É preciso esforço dos dois para superar pequenos problemas e ter mais prazer. Foto: Shutterstock

Dia dos Namorados semana passada me levou a uma série de reflexões. Os posts dos apaixonados nas redes sociais nos fazem acreditar que estão todos vivendo um amor daqueles de cinema, marcado por juras apaixonadas, identificação intelectual e quilômetros rodados de sexo intenso.

Já os solitários sentem dor no coração e quase não controlam as lágrimas ao verem aquelas imagens de casais em viagens românticas ou ao redor de um vinho, sentados à mesa de um restaurante à luz de velas.

Aos olhos de muitos solteiros, a vida não é tão bacana quando se está sozinho. Interessante é a vida dos casais comemorando o Dia dos Namorados.

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Ah, esses moços, pobres moços… Ah se soubessem o que eu sei. Quantos dos casais pintando de felizes nas efêmeras notícias das tais redes sociais estão vivendo seus infernos diários entre quatro paredes.

Acreditem, nem todos estão trocando carícias e se dando prazer, como deveriam.

Eu sei. Além da experiência própria, a vida me deu, como disse-me uma amiga psicóloga, essa “cara de divã”, que faz até o desconhecido que puxa assunto no ônibus me contar sua vida toda.

Costumo ser procurada por quem anda se irritando com a rotina de casal. São homens e mulheres com seus mimimis nascidos da pesada rotina diária, esse fantasma invisível, tão hábil em minar o lado bom da vida a dois.

São histórias como a da mulher bem-sucedida, cheia dos títulos acadêmicos, levando um relacionamento com um homem mais novo, que acaba de entrar na faculdade e que, como não é de família rica, trabalha como garçom.

Ela se irritou porque, durante um jantar romântico em um restaurante caro (o moço era seu convidado), o rapaz se distraiu ao contar o tempo em que a batata frita pedida pela mesa ao lado levaria para chegar. O erro do incauto foi não prestar atenção no que ela falava. Discutiram, por tamanha bobagem, e nem se encostaram durante a noite.

Outra história ilustrativa é a da mulher que ficava incomodada em dormir de conchinha. Não gosta, prefere se espalhar. Mas o namorado é forte e a puxava contra ele no meio da noite, fazendo-a despertar, não conseguir mais dormir e ficar mal-humorada. Ela, de brincadeira, comprou um ursinho de pelúcia para ele e disse-lhe “para você dormir abraçado com ele e me deixar em paz”.

O ursinho acabou fazendo companhia a ela, depois que o magoado rapaz deixou de frequentar aquela cama. Tem ainda as clássicas histórias de quem faz escândalo porque um dia o companheiro deixou cair farelo de pão no chão, que acabara de ser varrido e encerado.

Ou a inusitada situação pela qual passei com um namorado francês, que deu um grito e assustou a mim e a cinco gerações dos espíritos de meus antepassados, só porque eu cortei um queijo de forma “inadequada” (para certos franceses queijos são mais importantes que o relacionamento).

Estas pequenas questões parecem tão difíceis de administrar pelos casais. Eu acho tudo uma bobagem e perda de tempo. Veja bem, não estamos falando aqui de ciúmes, traições, de agressões ou de outras situações realmente sérias.

Acho perda de tempo por causa da energia gasta nestas pequenas discussões. E no sexo deixado de lado, por conta do mimimi dos irritadiços com pequenos problemas.

Não acredito que todos casais sejam assim, mas acredito que todos nós já passamos alguma vez na vida por situações semelhantes, de derrapar nas pequenices. E por isso já não sofro mais há tempos ao ver os casais ao redor quando estou solteira. Ao contrário.

Em vez de amargar o “bode” da solidão no Dia dos Namorados, mando logo uma mensagem para outro solteiro e só peço para trazer um vinho. Afinal, se os casais em relações sólidas se aborrecem por bobagem, os casais de uma noite só têm todo direito de inventar um amor, só para se distrair.

Com todo o romantismo deixado de lado por quem deveria estar vivendo o mar de rosas do amor correspondido.

E a única certeza é que ninguém vai brigar se a rolha quebrou, esfarelou-se dentro do vinho e a gente precisou coar a bebida. Há coisas mais importantes para fazer dentro da intimidade do que arrumar pequenos motivos pra brigar…

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