Suruba no asilo é um interessante projeto de velhice feliz

Suruba no asilo é um interessante projeto de velhice feliz

Maldito tabu que ainda impõe a repressão da libido quando não se é jovem

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suruba no azilo o masculino
Sexo deveria ser visto como normal mesmo na velhice, o que é de fato. Foto: Shutterstock

Outro dia fui convidada a escrever em um site bem legal, chamado mulheres 50 ou +. Contei lá a experiência de estar próxima do jubileu de ouro da vida e ainda ser coroada com likes no tinder.

Eu sou uma beldade? Um fenômeno estilo Bruna Lombardi ou Luíza Brunet, que tão bem chegaram à maturidade? Não. Apenas não sou criacionista e acredito nas teorias evolucionistas de Darwin. Somos capazes de avançar. E, portanto, gostar de sexo, seja na terceira ou na décima quinta idade é natural. E, agora vou chocar você: a atração sexual não existe somente entre quem não tem rugas ou cabelos brancos.

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Existe um filme francês cujo título no Brasil foi chamado “E se vivêssemos todos juntos?” A história gira em torno de sete amigos, na casa dos 70/80 anos, que começam a conversar sobre a possibilidade de viverem todos juntos em uma casa, uma espécie de república sênior.

As histórias de vida de cada um vão vindo à tona e, num dado momento do filme, a personagem da estrela americana Jane Fonda dá uma entrevista para um estudante universitário, em busca de material para uma pesquisa sobre velhice. É quando a entrevistada diz que o marido começa a apresentar Alzheimer, já não fazem sexo como antes e ela precisa se masturbar.

O estudante arregala os olhos e ela responde “Você não se masturba? Velho também sente desejo. Anote aí na sua pesquisa: o corpo muda, o desejo não”.

Tenho pensado muito neste filme nos últimos dias. Eu, que sonho em fazer swing na casa de repouso, quando (espero!) estarei mais liberada das amarras restritivas da sociedade machista e hipócrita, fiquei chateada outro dia.

Foi por causa da notícia de um grupo de velhos e velhas expulsos de um asilo em Portugal. O motivo? Organizavam e praticavam orgias escondidos dos administradores da casa de repouso.

Uma amiga, médica, exclamou “Que injustiça! Numa fase da vida onde quase não se consegue fazer mais nada e ainda foram punidos por estarem se divertindo!”.

Eu assino embaixo e espero que daqui a 30 anos fazer suruba no asilo seja corriqueiro. Mas se for pedir muito, só torço para continuar gostando de sexo. E continuar a ter parceiros – ou um único parceiro mesmo, se der sorte no amor – com vontade de fazer sexo comigo.

Penso muito atualmente no amadurecimento e no que realmente muda na vida sexual com o passar dos anos. Limitações corporais, talvez. Mas a gente, cuidado um pouquinho da saúde, deve conseguir algum fôlego, não?

De todos esses devaneios, meus chuchus, minha proposta é provocar uma reflexão. Mesmo quem fica horrorizado com a ideia da orgia entre rugas e pelancas, convenhamos que até uns amassos no portão entre velhos não é visto com naturalidade pelo nosso status quo brasileiro. E isso deveria acabar. Até por que todo mundo quer envelhecer, já que ninguém quer morrer.

Não é feio ser velho com libido. Vamos parar de usar pejorativos como “velha assanhada” ou “velho tarado” para mulheres e homens ativos sexualmente depois dos 50, 60, 70, 100, 120.

Oscar Niemeyer, que viveu até os 104 anos, uma vez foi questionado por um repórter sobre o que era o melhor vida, dessa vida tão longa dele. A resposta do arquiteto foi simples: “mulher”.

E pouco importa se sua afetividade é homo, hetero, pam. A resposta do gênio é apenas uma simbologia de que namorar é para sempre…

1 COMENTÁRIO

  1. Demais essa matéria! Eu achava que fosse a única com 50 anos que gostasse muito da coisa..rs…só que não… Que bom!!! Continue assim , sempre autêntica em suas convicções…Amei…abraços…

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