Como os homens tratam as mulheres

Como os homens tratam as mulheres

Colunista combate - mais uma vez - a conotação pejorativa em torno da mais antiga profissão do mundo e defende que homem tem que tratar bem toda mulher

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Termo 'puta' continua tendo sentido pejorativo em nossa sociedade. Foto: Shutterstock

Já discorri aqui que acho uma bobagem o tom ofensivo atribuído ao termo ‘puta’. O assunto volta à baila na coluna depois de uma conversa recente entre amigas.

A discussão girava em torno dos fracassos amorosos, das dificuldades em conseguir salários equivalentes aos dos homens no mercado de trabalho e sobre a ainda triste mania do assédio indiscriminado a mulheres.

Quando uma das presentes, citando um autor literário do qual não me recordo o nome, soltou: “queria mesmo é que um homem me tratasse como puta: ficando comigo pela vontade verdadeira e ainda pagasse por isso”.

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Muitas risadas depois, veio a reflexão. Lembrei do caso de um dos meus pretendentes a namorado. Eu trabalhava na redação de um grande jornal e meu horário de saída era meia-noite. No começo, o moço posou de compreensivo.

Me convidava para jantar em lugares boêmios, que cerravam as portas às 5h. Tirava um siesta enquanto eu trabalhava, para estar firme e disposto ao me receber em sua casa, geralmente com uma pizza de fastdelivery, cerveja gelada e cama quentinha.

Mas bastaram os primeiros encontros irem ganhando status de ‘relacionamento’ e, pronto, o príncipe gentil já dava sinais de sapo.

Começaram as reclamações sobre meu horário de trabalho e todo o rosário de lamentações sobre o varão infeliz que, entre tantas donzelas dependentes no mundo, teve o azar de namorar justo uma “jornalista que trabalha demais”, nas palavras do próprio.

Ok, meus chuchus, até este parágrafo estão todos se perguntando o que euzinha ainda estava fazendo ao lado do sujeito. Mas como todos nós sabemos, há mais mistérios entre insistir ou terminar uma relação do que supõe nossa vã filosofia.

Existiam coisas boas, claro, mas o convite aqui é à reflexão ao tratamento que alguns homens ainda se acham no direito de conceder às mulheres.

O ápice da falta de habilidade do cidadão aconteceu em um dia no qual ele, alegando extremo cansaço por ter me esperado tempo demais, simplesmente cruzou os braços atrás da cabeça, manteve-se deitado de costas com a barriga para cima e eu me ocupei de todos os trabalhos.

Não há nada de mal quando um dos parceiros está cansado e o outro se empenha mais na hora do sexo. Mas, no caso, quem tinha passado da hora trabalhando era eu e o bonito fez o passivo numa tentativa de mostrar que era ele quem tinha o direito ao cansaço.

Na hora a vontade me fez submeter ao capricho do incauto. Acabou o prazer, a reflexão veio com um peso de toneladas à consciência. Resolvi não mais vê-lo.

Ele não se conformava e um dia, não aguentando mais a insistência, fui categórica. Disse-lhe

“Ok. Você quer sair comigo porque gosta de mim na cama? Então, quanto você vai me pagar? Sim, amigo, porque se é para ficar paradão, no comando do ‘faz assim, faz assado’ e sem dar a mínima para se eu tenho prazer, acho melhor estabelecermos uma relação comercial. Se não, não vejo vantagem nenhuma em fazer sexo contigo”

Ele engoliu seco, mas baixou a bola. Pediu desculpas. Até hoje pede outra chance. Não dei. Não dou. Nunca mais darei. Esse vai ter que aprender a tratar uma mulher como puta, ou seja, com muito respeito.

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