Qual preço de não começar a investir hoje

Qual preço de não começar a investir hoje

Ignorar o poder dos juros sobre juros faz com que muita gente adie os planos de investimentos. Mas o que elas não sabem é que estão deixando de ganhar muito dinheiro, e a situação de independência financeira fica cada vez mais distante

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O tempo fará muita diferença nos resultados dos seus investimentos. Foto: Shutterstock

 

Investir é o passo fundamental para realizar seus sonhos e alcançar a independência financeira. Porém, muitas pessoas dão diversas justificativas para não o fazer, como “assim que der” ou “quando sobrar começarei a investir”. Esses indivíduos almejam investir somente depois de quitar o carro, de liquidar o financiamento da casa, de conseguir um emprego melhor ou aumento salarial, quando a situação financeira do país melhorar, quando o mercado melhorar, enfim, qualquer argumento serve para adiar esse início.

Mas como disse Robert Johnson, presidente do Colégio Americano de Serviços Financeiros, “sucesso nos investimentos não está no timing do mercado, e sim no tempo que está no mercado”. Isso decorre de uma importante característica dos investimentos, eles são corrigidos por juros compostos.

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Juros compostos

Muitos dos produtos financeiros disponíveis no mercado, que você tem acesso com o gerente de seu banco, têm sua rentabilidade (correção) apurada por essa forma de cálculo matemático, tal como muitos dos investimentos em renda fixa (CDB, LCA, LCI, etc), previdência privada (PGBL e VGBL), entre outros. Para ilustrar o caso, vamos usar um exemplo.

Imagine que tem uma semente de milho. É muito pouco para consumir, então você decide plantá-la, na esperança de conseguir mais do cereal. Essa planta, ao crescer, gera sua primeira espiga e, dela, você separa mais duas sementes para expandir sua plantação, que quando crescidas, somarão 3 pés de milho. Na próxima safra, a primeira planta irá gerar outra espiga de milho, juntamente com as espigar geradas pelos pés plantados depois. Se você continuar esse processo, cada milho gerado, destinado a novo plantio, irá trabalhar para crescer sua plantação e, consequentemente, sua produção total.

O mesmo vale para um investimento financeiro. Se você aplicar um valor inicial (principal) em uma operação na qual incida uma remuneração (juros) em determinado tempo (período) terá um valor total (montante). Por exemplo, você aplica, em 01/01/2016, R$1.000 a uma taxa de juros de 1% ao mês. Ao final do primeiro mês, 01/02/2016 ou período 1 (p1), você terá o montante de

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Ao fim do segundo mês, 01/03/2016 ( , a “mágica” acontece. A remuneração incide sobre o valor inicial, e também incide sobre os juros gerados no período anterior.

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Agora seu dinheiro está trabalhando para você! Seu primeiro R$10 de juros gerou suas próprias sementes, mais R$1, somando R$1.021 ao fim do segundo mês. Por isso, os juros compostos também são conhecidos como “juros sobre juros”.

A importância do tempo

O tempo tem papel fundamental para o investimento e, por isso, tão logo estabelecer seus sonhos e objetivos, comece a investir. Imagine que você deseja, no próximo ano, realizar um curso de especialização no exterior, com o objetivo de ter um diferencial a mais no mercado de trabalho. Você calcula que curso, passagem, hospedagem, alimentação, transporte e todas as outras despesas ficarão em torno de R$15.000. Qual a diferença de esforço, caso você comece a investir o dinheiro agora (12 meses) ou se você já estivesse juntando há quatro anos (60) meses, com uma taxa de juros de 0,8% ao mês? (Vamos desconsiderar a incidência de impostos e a inflação do período, para facilitar os cálculos)

  • Um ano: em 12 meses, você teria que aplicar, ao mês, R$1.195,95 para obter os R$15.000. Ou seja, você investiria um total de R$14.251,39 e os juros obtidos, isto é, o resultado de seu dinheiro trabalhando para você, seria de R$648,61. Nada mal.
  • Cinco anos: em 60 meses, você deveria investir R$195,76 ao mês para obter os mesmos R$15.000, resultando em R$11.745,69 aplicados. Neste caso, os juros gerados seriam de R$3.254,31!

Avaliando os dois casos, qual deles requer o menor esforço de acumulação e em qual o papel dos juros compostos se mostra mais vantajoso?

Quem quer ser um milionário?

 

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Cena do filme Quem quer ser um milionário (2008).

Agora vamos avaliar outra situação. Digamos que você deseja se aposentar aos 55 anos de idade com R$1 milhão na conta bancária, sem ter que ganhar na loteria ou em alguns programas de televisão. Você pode esperar até ter 40 anos de idade e começar a acumular recursos ou então começar agora, supondo que você tenha 25 anos. Comparado as duas situações, supondo que você tenha a mesma taxa de juros de 0,7% ao mês, você terá (vamos novamente desconsiderar que esses investimentos cobrem impostos e os efeitos da inflação):

  • Começando aos 40: durante 15 anos, você precisaria aplicar mensalmente R$2.502,67 para ser milionário aos 55 anos de idade. O valor total investido seria de R$450.481,08 e os juros obtidos seriam de R$549.518,92. Se você mantiver essa disciplina por 15 anos, você entraria com quase metade do dinheiro e “os juros”, ou o banco onde foi feita a aplicação, entrariam com quase a outra metade. Parece uma alternativa interessante.
  • Começando aos 25: nessa hipótese, você começar a acumular mensalmente R$481,60 e, no final de 30 anos, você terá investido “apenas” R$173.375,89 e terá seu R$1 milhão em conta bancária. Diferente do exemplo anterior, você teria aplicado por 15 anos a mais e os juros somariam R$826.624,10.

Comparando as duas situações, tornar-se milionário não parece tão difícil quanto você imaginava, basta ter disciplina, perseverança, e começar a investir o quanto antes. Existem várias histórias de sucesso sobre pessoas que alcançaram valores inimagináveis e conseguiram realizar seus sonhos. Você também pode ser uma dessas pessoas. Basta começar já!

Conclusão

Você pode observar a importância do tempo no resultado dos investimentos, verificando que pequenos e persistentes esforços, feitos com disciplina, resultam em grandes quantias, graças ao poder dos juros compostos. Essa atitude torna mais fácil a trajetória para a realização de seus sonhos. Independentemente de sua idade, não deixe para amanhã o que você pode investir hoje.

Hoje temos uma infinidade de tipos de investimentos (e outras aplicações que não são investimentos), com várias formas de remuneração, formas de cálculo, valor mínimo de aplicação, tributação, onde cada um apresenta um tipo de risco diferente. E não só o tempo influencia o resultado final de suas aplicações, mas também a taxa de juros, a tributação e a inflação.

Caso tenha dúvidas na hora de o investimento mais adequado para seus objetivos ou precise de auxílio para calcular e estimar o resultado de seus esforços, procure um planejador financeiro!

 

O conteúdo presente nesse artigo tem como finalidade esclarecer conceitos relacionados a produtos financeiros disponíveis no mercado, e não se trata de recomendação, indicação ou aconselhamento de investimentos. Cabe a decisão e responsabilidade de adesão a qualquer tipo de produto do investidor. Por isso, recomenda-se pesquisar e/ou consultar profissionais qualificados, caso necessário.

Tem alguma dúvida sobre assuntos que impactam seu bolso? Quer saber mais sobre planejamento financeiro pessoal? Envie um e-mail para daniel.oeconomista@gmail.com. Os assuntos mais pertinentes serão tratados aqui na página!

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