5 aplicações para seu dinheiro que não são investimentos

5 aplicações para seu dinheiro que não são investimentos

O termo investir nem sempre é claro quando discutido na televisão, em jornais e revistas. Por isso, entender seu significado é essencial para fazer com que seu dinheiro dê bons frutos ao longo do tempo.

1
COMPARTILHE
aplicações o masculino
Muitas vezes uma aplicação pode parecer um investimento, mas não ter esta finalidade. Foto: Shutterstock

Quando a questão é investimentos, cada um tem uma fórmula de sucesso. Ao conversar com amigos e família, ou procurando dicas na internet, você encontrará várias sugestões e opções para “investir” seu dinheiro. Ou mesmo, se você levar essa questão ao gerente do seu banco, ele ou ela irá lhe apresentar várias opções e possibilidades para “investimentos”.

Leia também: 

Planejamento Financeiro: Transformando sonhos em números (Parte 1)

Planejamento Financeiro: Transformando sonhos em números (Parte 2)

Planejamento Financeiro: Transformando sonhos em números (Parte 3)

Contudo, nem tudo que reluz é ouro, principalmente porque a definição de investimento não é clara para todos e também muitos gerentes de banco estão mais interessados em cumprir suas metas do que realmente lhe auxiliar em decisões de investimentos que mais enquadrem no seu perfil.

O que é investimento?

Na perspectiva da economia e finanças, investimento pode ser definido como a aplicação de recursos (dinheiro) em empreendimentos que renderão juros ou lucros, normalmente no longo prazo. Em outras palavras, é a aquisição de bens ou ativos que podem proporcionar renda no decorrer do tempo. Você abre mão de uma quantia de dinheiro hoje com a expectativa de conseguir mais dinheiro no futuro.

Por exemplo, são considerados investimentos:

  • Aplicar seus recursos no mercado financeiro, como na caderneta de poupança, fundos de investimentos ou ações.
  • Aquisição de imóveis para fins comerciais, como aluguel de casas, apartamentos, lojas, terrenos, etc.
  • Alocar capitais na fundação de seu próprio negócio.

E por que investir?

aplicações o masculino
É importante contar com a opinião de um especialista para investir melhor o seu dinheiro. Foto: Shutterstock

Seu salário não é a única forma de ganhar dinheiro. Ao investir, você coloca o dinheiro para trabalhar por você, trazendo-lhe mais renda. É como se cada moeda que você investisse trabalhasse por conta própria para trazer mais outras moedas para seu bolso, sejam por meio de lucros, juros, aluguéis ou outros tipos de retornos.

Contudo, todos os investimentos apresentam riscos. Em um mundo repleto de incertezas, você pode ganhar muito mais do que o esperado, receber menos que o desejado ou até perder tudo. Por isso, é sempre bom buscar informações sobre onde colocar seu dinheiro, avaliando quais tipos de risco você está disposto a correr e não entrando em furada, reconhecendo aplicações para seu dinheiro que não são investimentos.

  1. Capitalização

Os títulos de capitalização são destinados à criação de poupança forçada por parte de quem o adquire através de pagamentos ou aplicações periódicas, dando direito à participação em sorteio de prêmios. Com duração mínima de um ano, ao final do período, o indivíduo recebe todo o dinheiro que aplicou, descontadas as taxas para a manutenção do consórcio, corrigido pela Taxa Referencial (TR), índice calculado pelo Banco Central do Brasil que é aproximadamente 0,5% ao mês.

O que talvez muita gente não saiba é que capitalização na verdade é considerada um título de crédito e um investimento. Esse produto está mais atrelado ao sorteio de prêmios do que à busca por rendimentos, que é como definimos investimento. Além disso, o resgate antecipado do título gera o pagamento de multas e, muitas vezes, ao fim do contrato, você não recebe a totalidade do que foi aplicado, dado que a correção é muito baixa e as taxas são elevadas.

  1. Imóveis

Já ouvi de muitos clientes a frase “minha casa é meu maior investimento”. Se o imóvel é utilizado para sua própria moradia, podemos mudar o dito popular para “minha casa é minha maior despesa”. Utilizando-a para sua própria moradia, o imóvel foge das características de investimento, pois todas as despesas com manutenção, contas de água, luz etc. não são realizados com o intuito de obter lucros ou rendas, e sim um teto para você e sua família.

Com o grande crescimento no preço dos imóveis nos últimos anos, muitos viram sua casa valer muito mais, levando a crer ser esse um ótimo investimento. Contudo, ao vendê-la, o indivíduo teria que desembolsar um preço também elevado para adquirir outra.

Quer investir em imóveis? Uma forma é construir ou adquirir imóveis residenciais ou comerciais com o intuito de obter renda com aluguel. Sua casa própria não.

  1. Consórcio

Consórcio é uma forma de adquirir um bem através da cooperação de várias pessoas com o mesmo propósito. A administradora do consórcio recebe mensalmente o pagamento de cada consorciado (cotista), formando um montante suficiente para adquirir algumas unidades do bem em questão (prêmio), que são sorteadas entre os membros ou oferecidas aos que fazem os maiores lances em dinheiro. Ao final do contrato de consórcio, todos os membros terão recebido a quantia em dinheiro para a compra do bem.

Porém, o consórcio não se enquadra em investimento devido a sua forma natureza. Você poupa mensalmente um valor e repassa à administradora do consórcio (poupança forçada), que cobra uma taxa para a sua administração. Se por ventura você for o último a receber o prêmio, você terá desembolsado um valor superior o que receberá, devido às despesas cobradas pela administradora. Se você for o primeiro e comprar o bem fim do consórcio, se houver desvalorização do seu bem, ao final do contrato, você também terá desembolsado valor superior do que foi aportado.

  1. Automóveis

Antigamente, durante o período de alta inflação, as pessoas não mantinham dinheiro em mãos, pois se perdia o poder de compra rapidamente. Em outras palavras, seu salário ou renda comprava menos hoje do que no dia anterior, e o dinheiro não servia para uma de suas principais funções: reserva de valor. Logo, procurava-se adquirir bens, principalmente duráveis como carros e terrenos, com o objetivo de transformar o dinheiro em algo palpável e que tivesse uma desvalorização menor que a inflação.

Hoje em dia, com a inflação mais controlada, esse costume permanece, mas com outro argumento: que é melhor encaixar uma parcela de financiamento ou consórcio de automóvel em seu orçamento para não gastar o dinheiro com coisas supérfluas.

Se o automóvel não for destinado ao transporte comercial de passageiros, de carga ou outra finalidade destinada à obtenção de rendas, ele não será um investimento e sim um gasto para sua aquisição e manutenção.

  1. Cofrinho / Porquinho

Outra prática bastante comum é a guardar dinheiro no cofrinho. A ideia é que todas as moedas recebidas de troco do supermercado, da padaria e de outros locais, vai para o cofrinho, com o objetivo de juntar recursos. Se as moedas tem um objetivo definido, conseguem motivar toda a família a colaborar.

A acumulação de dinheiro no cofrinho é bastante interessante, pois requer pouco esforço, pois moedas são fáceis de conseguir, e a família consegue ver o resultado de sua contribuição, pois o porquinho começa a ficar cada vez mais pesado, o que leva ao maior empenho das pessoas envolvidas.

No entanto, mesmo mais controlada que na década de 1990, a inflação corroí o poder de compra de seu dinheiro, além de não render nenhum juros. Vamos imaginar que você queria comprar uma nova TV ao final do ano, no valor de R$ R$2400 e, para isso, você consegue juntar no cofrinho R$200 em moedas todo mês. Se fizermos um cálculo aproximado, com a inflação na casa dos 10% em 2015 (IPCA, índice de inflação oficial do Brasil alcançou 10,67% no ano passado), ao final do ano, é como se sua televisão tenha um valor de R$2.656,08 devido à elevação geral de preços. Em outras palavras, você perdeu R$256,08 em decorrência da inflação.

Conclusão

O objetivo desse artigo foi mostrar o que caracteriza um investimento, qual sua importância e o que não é considerado investimento. É fundamental entender esse conceito se você quiser fazer seu dinheiro trabalhar para você e não ser influenciado ou confundido por outras pessoas.

Vale lembrar que cada uma dessas aplicações para seu dinheiro é válida, dependendo do resultado que você deseja alcançar. Ao aderir a qualquer um desses produtos ou procedimentos, procure levantar os prós e contras a fim de aproveitar ao máximo sua alternativa e não ser enganado. E caso queira investir seu dinheiro, procure um profissional experiente e instruído, como o planejador financeiro, que leve em consideração seu perfil de risco, sua capacidade financeira e seus objetivos.

 

O conteúdo presente nesse artigo tem como finalidade esclarecer conceitos relacionados a investimentos e alternativas de poupança e produtos financeiros disponíveis no mercado, e não se trata de recomendação, indicação ou aconselhamento de investimentos. Cabe a decisão e responsabilidade de adesão a qualquer tipo de produto do investidor. Por isso, recomenda-se a consulta de profissionais qualificados para o auxílio, caso necessário.

Tem alguma dúvida sobre assuntos que impactam seu bolso? Quer saber mais sobre planejamento financeiro pessoal? Envie um e-mail para daniel.oeconomista@gmail.com. Os assuntos mais pertinentes serão tratados aqui na página!

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA