Sexo certo com a pessoa errada

Sexo certo com a pessoa errada

Quem nunca se entregou a quem não devia, que atire a primeira pedra...

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sexo com a pessoa errada o masculino
Quem nunca fez sexo com a pessoa errada apenas pelo prazer? Foto: Shuttertock

A conversa girava em torno de remédios para dormir, legalização das drogas, o uso medicinal da maconha e os malefícios do álcool. Quando a amiga irreverente soltou a pérola. “Não bebo, não fumo, não uso entorpecentes. Minha única droga são as picas erradas”. Gargalhadas explodem.

A analogia é cheia de simbolismo. E pode ser traduzida para outros vícios ligados às zonas erógenas dos seres humanos. Assim como há as mulheres viciadas em picas erradas, há homens e mulheres com tendência a ficarem dependentes de bundas, peitos e vaginas completamente equivocadas. Mas nem estou falando do tal ‘amor de pica’, sobre o qual já discorri em outra coluna.

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Ser ‘viciado’ em sexo com a pessoa errada é bem diferente. É quando a gente sabe que na hora que o sexo acaba, nada mais será bom. Ou aquele ser humano vai ser indiferente como um guarda do Vaticano. Ou perverso como uma criança mimada. Enfim, é quando o ‘depois’ vai bater mal, mas acabamos sucumbindo outra vez, porque a ‘droga’ é mesmo boa. Entorpece, adormece, deixa a gente fora de órbita.

Quem fica dependente de sexo com a pessoa errada acaba se deixando levar pelas relações ‘furadas’ por uma questão química. Assim como a nicotina vicia, a explosão de serotonina causada pelos orgasmos, proporcionados mesmo por alguém que nem sempre é bacana conosco, também pode causar dependência, diz a ciência.

E se há reação química no meio, está longe de ser só razão. Porque nessa história de sexo, envolvimento e amor, as misturas nem sempre geram a alquimia perfeita. “O problema é promover a pica errada ao possível namorado. Tem que saber que aquilo é só sexo e pronto”, comenta a amiga com ares de controlada.

Outra companheira de conversa, define. “Não acho que seja a pica a errada. A pica é certa, a pessoa é que é errada”, corrige. Faz sentido. E talvez por isso seja mais difícil ainda não sucumbir ao sexo certo com a pessoa errada.

Nessas horas de ‘fome’, quando nos damos conta, lá estamos de novo trocando fluidos com quem não devíamos nem cumprimentar. E, pior, as chances de acontecer de novo são grandes. “A pica errada pode ser pior que vício em tarja preta. Na hora é bom, mas a rebordosa é igual ressaca de vodka de má qualidade”.

E se sabemos que vai ser ruim depois, por que insistimos? Porque sexo é um negócio tão bom que faz a gente duvidar dos efeitos colaterais. A velha música de Tom e Vinícius ‘já conheço os passos dessa estrada, sei que não vai dar em nada…’ não toca quando o desejo se planta diante de nós, sem chance de passarmos por ele incólumes.

Somos movidos a esta ação contínua, de não resistir ao sexo com a pessoa errada, porque a razão pede licença e vai embora. Somos todos bonobos incontroláveis? Do que vale a bendita razão humana se não for para controlar os instintos mais primitivos que certos feromônios nos despertam?

Quisera eu ter todas as respostas. Teoricamente, acredito no equilíbrio entre o instinto e a racionalidade. Na prática, quantas vezes me joguei aos ferozes leões do tesão incontrolável e me entreguei à deliciosa animalidade sem lei, quando só queremos descomplicar a vida nos braços de um errado qualquer

E a gente só está aqui, discutindo o tema nesta coluna de acesso livre, porque admitimos – todos – que sexo é muito bom. Se não fosse, meus chuchus, não usaríamos sexo como droga em alguns momentos da vida…

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