Sexo tântrico ou as preliminares sem fim

Sexo tântrico ou as preliminares sem fim

Em um momento que se fala tanto em preliminares, Ana Paula Cardoso lembra que é preciso compreender que nem todas as mulheres gostam da mesma coisa.

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preliminares o masculino
Não são todas as mulheres que gostam de preliminares longas. Foto: Shutterstock

 

Uma posição muito polêmica da minha parte é quando digo ‘não gosto muito de preliminares’. Choque, fisionomias pasmadas ou olhar de desdém são apenas algumas das reações mais comuns. Como uma mulher pode não gostar de preliminares? Depois de afirmar que já não sou grande fã de receber sexo oral (vejam lá na coluna “Em busca da Lambida Perfeita“) eu realmente corro o risco de perder minha condição de gênero. Seria eu um androide? Uma replicante? Em vez de ser uma mulher?

Não, meus chuchus, apenas, e falo isso com muita certeza, sou uma mulher que aprendi a saber do que gosto e não vou me submeter aos padrões aos quais cismam em rotular homens e mulheres. Assim como não acho que só homem gay goste de estimulação com o dedo no ânus (depois de morar na França, então, aprendi que o ‘fio terra’ pode muito bem ser coisa de macho), também não acredito que todas as mulheres fiquem plenamente satisfeitas com preliminares sem fim.

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E aí vou pegar o gancho do sexo tântrico, uma das últimas modinhas entre os descolados sexualmente. Para começar, é bom entender o que se convencionou chamar de sexo tântrico. Primeiro de tudo, tantra é uma palavra que vem do sânscrito, idioma utilizado na Índia desde 4 mil anos antes de Cristo, e que quer dizer expansão e libertação.

O preceito de tantra seria, bem resumidamente, uma forma de vida longe de dogmas e represálias. Até aí, beleza, tudo a ver com sexo: liberdade, expansão, retirada das amarras e dos dogmas. Na prática, os cursinhos de sexo tântrico estão ensinando a fazer preliminares, cheios de movimentos estranhos que, em alguns casos, são mais capazes de fazer rir e ‘broxar’ do que necessariamente causar uma excitação transcendental.

Ao menos foi o que contou um amigo que resolveu fazer o curso em casal. Riram mais do que se excitaram ao tentarem aplicar a técnica em casa e acabaram no sexo feijão-com-arroz mesmo, ao qual estavam acostumados e através do qual alimentam o prazer um do outro.

Não estou falando aqui falando mal do sexo tântrico. Apenas acho que não é numa aula ou num curso de algumas semanas que se apende a expandir o prazer. O próprio amigo que fez o curso disse:

“Tem uma coisa de trabalhar o toque, os carinhos, a ‘sarração’, os cheiros, os sabores, essas coisas. No mais, é tudo tradicional mesmo”, avaliou meu amigo. No curso de sexo tântrico talvez se apenda a gostar de explorar o parceiro. Mas, esperem aí, eu já gosto disso! O que não gosto, e aí acabo afirmando minha implicância com preliminares, é quando fica só nisso.

Para mim a etimologia da palavra já diz ‘pre’ (vem de pré, antes) e ‘liminar’ (algo como ‘ponto de passagem’). Então, meus chuchus, a preliminar, como o nome já define, é algo para ser feito antes do ponto de passagem para o sexo em si.

No meu caso, sexo em si é penetração. Eu gosto e há também muitas mulheres que gostam, garanto. O sexo tântrico é, ao meu ver, uma forma de preliminar, mas há quem defenda que o sexo tântrico ensine a gozar sem precisar do ato sexual em si. Até sei que sou capaz de gozar sem penetração. A questão é: do que gosto mais? Do que você gosta mais?

Talvez eu seja primitiva demais para essas práticas. Não faço parte do rol dos evoluídos e por isso fico com o bom e velho sexo ocidental mesmo, aquele que tem começo, meio e fim. Excitação e êxtase. Preliminar e ‘pós liminar’. Mas não se guiem por mim e sim pela natureza de cada um. Porque tântrico ou não, o importante é o sexo e o prazer que esse sublime ato nos oferece…

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