Traição de mulher é diferente de traição de homem?

Traição de mulher é diferente de traição de homem?

Em nossa coluna semanal de sexo, Ana Paula Cardoso traz a discussão sobre a traição masculina e feminina. Será que há alguma diferença como dizem? Leia!

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traição o masculino
Traição de homens e mulheres é motivo recorrente em discussões. Foto: Shutterstock

Quatro gerações de mulheres de uma mesma família estavam reunidas na sala de um apartamento em Ipanema, Rio de Janeiro, em um dia qualquer do século XXI. Na TV, começa uma reportagem sobre o aumento no número de mulheres que traem.

A tia-avó viúva, no alto de seus 92 anos, ainda plena de beleza, lucidez e atividade (ela tem um namorado mais novo, de 83 anos) solta a frase do século: “Não acredito que as mulheres traiam mais agora do que antes, não”.

Todos os olhares se voltam para a experiente dama. “No meu tempo de juventude, por exemplo, o tabu da virgindade atrapalhava tudo. Muitas mulheres se casavam para poder perder a virgindade. Uma vez esse assunto resolvido (sic), a porta para outras experiências estava aberta”.

Fiz um monte de perguntas (menos se ela tinha traído meu tio-avô) e compreendi o raciocínio cheio de sentido e sabedoria daquela mulher com muito mais estrada que eu.

O que minha tia-avó contestava é essa história de que a emancipação feminina abriu as portas para a libertinagem. Como se a traição precisasse de visto de independência.

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A contestação daquela senhora era sobre o machismo incutido nas entrelinhas da reportagem. As mulheres avançaram em suas conquistas e isso as fez menos confiáveis.

As mulheres, segundo minha tia-avó, sempre traíram, assim como os homens. Por motivos diversos. Mas na maioria absoluta das vezes apenas por um único motivo muito simples: desejo. Desejo carnal, tesão, volúpia.

O que a velha dama não gostou foi da conotação de que precisaria de um sentido para a traição feminina. Numa mostra serena de evolução espiritual, a mulher com quase um século de vida avalia o sexo pela simplicidade que lhe deveria ser sempre peculiar.

Transar com alguém nem sempre é por amor, por carência ou vingança. As mulheres sentem também vontades de variar, de experimentar, de acalmar os desejos. Mesmo que depois descubra que nem era como se imaginava, mas o desejo estava ali e foi mais forte do que as imposições sociais de fidelidade.

E quando falo ‘sociais’ é por perceber cada vez mais um movimento de casais em busca de soluções para os modelos atuais de relacionamento. Seja o poli amor, o swing, a relação aberta ou mesmo um acordo tácito do ‘eu não preciso saber se for apenas um desejo sexual’.

Porque a grande verdade, nunca revelada, é que ninguém quer ver o ser amado desejando outra pessoa, mas todos nós, mesmo amando, desejamos outras pessoas. Nem que seja apenas uma vez.

Nem que seja a moça pelada na revista ou o rapaz de olhar desconcertante que passou por mim na rua.  Botar esses desejos furtivos em prática são ‘outros quinhentos’.

“Mas não me venham dizer que homem é assim e mulher é assado. Desejo é desejo. O que muda são os conceitos da sociedade e as cobranças em cima dos gêneros. Arriscaria dizer que as mulheres até traíam mais no século passado”, opinou a sábia tia-avó.

Sugiro baixarmos os sentimentos de posse, meus chuchus. E espero que a gente transe tanto com o ser amado, que não haja espaço para a concretização do desejo com outros parceiros. Mesmo sabendo o quanto de utopia tem essa minha esperança…

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