Sexo bom eu reconheço pelo cheiro

Sexo bom eu reconheço pelo cheiro

Quem nunca reconheceu alguém pelo cheiro? E não do perfume que estamos falando! Não perca a nossa coluna semanal de sexo!

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cheiro o masculino
Há quem invista em perfumes caríssimos e subestimam os excitantes odores corporais. Foto: Shutterstock

Esse amor eu reconheço pelo cheiro que fica na minha mão. A frase não é minha, mas do célebre sambista e compositor Martinho da Vila. Sexo e amor têm cheiro, afinal? Uns podem dizer que tem o cheiro de quem a gente gosta de trocar fluidos. Em contrapartida, é praticamente impossível ir para cama com alguém de quem não gostamos muito do odor.

E não estou falando de cheiro ruim, daqueles de quem não se lava direito. Algumas vezes, a mais perfumada das criaturas é justamente aquela com quem nosso nariz não bate. E se o olfato rejeita, as partes baixas da anatomia nem se mexem.

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Um dia eu estava em uma livraria, no Centro do Rio, quando escutei uma voz familiar chamar meu nome. Virei-me e era um ex-namorado que não via há uns 10 anos. Eu estava de costas, cabelos curtos, roupas formais, bem diferente dos tempos que nos conhecíamos e convivíamos. Mas ele foi logo dizendo “Te reconheci pelo cheiro quando passei por você”.

E essa bendita química que também influencia o sexo entre humanos tem nome. Chama-se feromônios. Fui lá na Wikipédia buscar o resultado para ferormônios ou as feromonas (do grego phero “transmitir” e hormona, do grego ὁρμή “excitar”) e achei isso aqui: “são substâncias químicas que, disseminadas entre seres de uma mesma espécie, promovem reações específicas em seus indivíduos”.

É a ciência explicando a poesia, o cheirinho de duas horas da tarde que já li em alguma literatura e agora não me recordo o autor. O cheiro de acordar pela manhã e que fica impregnado em fronhas ou em lençóis quando o ser amado levanta da cama.

O hálito que inebria, o perfume misturado à pele que transtorna, a alquimia do suor com os hormônios da excitação. Tudo, tudo isso valem mais que o mais caro perfume francês.

O cheiro dele depois de passar o dia todo na rua. O cheiro dela depois de duas horas no supermercado. Cheiros que nos fazem derreter, que nos remetem a uma viagem de aproximação do tempo, tão bem descrita na antologia Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust.

Tem gente que é neurótico com limpeza, inclusive corporal. E com perfumes. Eu diria que gosto do meu homem com o cheiro dele, ou com aquele aroma do sabonete pós-banho, ou o cheiro da barba que acabou de ser lavada. E desconfio de homens que reclamam do meu cheiro de “duas horas da tarde”.

É preciso sermos mais livres em relação aos odores, para que o cérebro decodifique o cheiro que nos excita e o registre como um código de barras que sempre fará aquele momento voltar. Sejamos um pouco mais naturais e desfrutemos dos ferormônios sem camuflagem. O sistema límbico agradece…

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